quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

you and me won't be unhappy

Um misto de “mas que hipocrisia” e “mas que lindo” me domina nessa época do mundo. Toda aquela galera do orkut que nunca deu a mínima pra você – a vadia do escritório que usa um tamanco no qual você queria tacar fogo, o grupinho da sua sala que sempre te chamou de nerd e riu do seu cabelo, aquele capeta em forma de moleque que estudou com você na quinta série e te infernizou o ano inteiro – te mandando scrap em massa desejando prosperidade, saúde e o caralho a quatro (um caralho seria bom).
(Deus, acabei de ver como esse blog tá às moscas. Já tive tempos melhores. Mas é que a maioria das pessoas que lêem isso aqui são as que me odeiam. Daí se acontece algo ruim *todos comemora*, se acontece algo bom, *todos joga praga*)
Mas ainda assim, essa coisa de fim de ano é linda e eu queria que nunca passasse. Você pode adiar todas as obrigações, usando as festas como desculpa. E Deus sabe que meu nome é Thamires e o apelido é quero adiar.
Adiar só as obrigações né, me dêem um estoque de livros, comida e Diogo que eu serei feliz pra sempre.
Inclusive, fui passar a véspera de natal com minha nova família, e fui absolutamente adorável, se é que esse adjetivo pode ser aplicado a mim pelo menos uma vez na vida.
E o dia 25 também foi legal porque a comida tava d+ como sempre e minha mãe e o Diogo se dão tão bem que, se ela não curtisse pedreiro eu até ficaria com medo.
Pequeno parêntese: a designação pedreiro é uma categoria de homem. Os que possuem várias características do famigerado mestre de obras ex: cantadas esdrúxulas, cara de pobre, músculos, bronzeado intenso, etc.
E o Diogo é um bear, vocês viadinhos sabem bem o que significa.
Enfim. Meu quarto está entulhado de livros. Assim como minha mente de planos. Nós temos falado sobre nosso futuro o tempo todo. Sobre ir pra outra cidade ~tentar a vida~. A única coisa que eu quero mais que acordar ao lado dele todos os dias é não morrer de fome e ter tempo pras minhas coisas. Nós absolutamente não conseguiremos sair daqui em 2012. Graças a Deus agora estou pensando em fazer direito, que tem aqui.
Araçatuba não é exatamente um lugar ruim (tirando que as piores pessoas que eu conheço habitam esse stand do inferno), considerando que existem cidades muito menores ao redor que não têm nem faculdades particulares que parecem só formar gente em educação física, psicologia e odonto, como aqui.
Ontem nós resolvemos ficar aqui, e eu me sinto mais aliviada. Não quero passar o resto da vida enfiada no interior, tendo uma existência enfadonha sob esse sol de matar, mas já o não fiz por mais de dezesseis anos? Já não houveram tempos muito piores? Eu ainda vou ser jovem quando terminar minha primeira faculdade. Jovem o suficiente pra me permitir fazer qualquer coisa da vida, mas muito mais independente e madura do que agora. Aqui não vamos crescer nossa conta bancária, mas também não vamos afundar. Vão ser anos de investimento.
Me senti adulta, me senti dando um passo decidido em direção a algo grandioso. Nós ficamos fazendo contas do que podemos juntar em um ano, de preço de móveis e custo de vida. Talvez pareça bobo pra você que já tem sua vida resolvida, seja pelo esforço próprio e idade, ou pelo dinheiro do papai, mas pra mim foi homérico.

Lembro que no fim de 2006 eu fiz uma retrospectiva do meu ano e a maior parte era “chorei muito e escrevi muito” hahahah :~~
Pros leigo, eu tinha essa paixão platônica por um menino da minha sala e era toda bobinha, chorava por qualquer coisa, escrevia poemas pra ele (alguns até que aceitáveis), e cada pequeno movimento dele era cuidadosamente narrado no meu diário.
Então eu não quero fazer uma retrospectiva de 2010, porque aconteceu tanta coisa boa. Um monte de coisa ruim, como sempre. Mas que foi esquecida, confortavelmente acomodada sob as brumas dos melhores momentos da minha vida. São esses que permanecem. Posso ser fraca, mas (ou talvez por causa disso) minha memória pras coisas ruins é fraca. Não consigo ficar relembrando sofrimento. Só consigo lembrar das coisas boas desse ano, e temer o próximo. Eu fui feliz esse ano, eu construí mais do que eu sou, sei, e quero pelo resto da vida do que em qualquer outro ano. Todo ano é assim. Nada é regressão. Em diferentes escalas de dor, tudo tem sido evolução.


Apenas um aviso pra você que não acompanha meu twitter, os erros de concordância e elementos de linguagem pendendo pro miguxês são propositais.

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