terça-feira, 28 de junho de 2011
falling
Meu amor me derruba sabendo que vai me estender a mão, me estende a mão sabendo que corre o risco de me derrubar. Meu amor tem paixão pela arte, pela ciência e pelo intangível, mas meu amor não tem paixão por mim que estou bem ao seu lado. Tem é amor, amor que mais lindo não há. Tem é vontade de passar a vida comigo, ter filhos comigo, não posso reclamar. Mas ainda prefere sacrificar algumas certezas por grandiosas incertezas. Meu amor fala das coisas bonitas que espera encontrar em terras distantes, mas não fala que estou bonita quando me maqueio pra me aninhar em seus braços. Meu amor me constrói o caminho e me faz sua lua. E eu absorvo sua grandeza para refletir uma pequena parte dela a qualquer um que se mire em mim... como me miro em meu amor, minha rocha, meu barco no meio do oceano, meu tudo. Que, com seu olhar que divaga um pouco demais pelo futuro e seu abraço quente, é perfeito a seu modo sob meu olhar marejado e um tanto masoquista – como tudo que há de mais belo, com sua parcela de dor, intensa mas brevíssima se comparada à sua recompensa.
domingo, 26 de junho de 2011
Where's Wally?
Eu não sei se cresci ou se perdi minha essência, não consigo me lembrar do que eu realmente era. Perdedora, apaixonada, inteligente ao extremo. Vendo por esse lado, só o status da inteligência mudou. Eu escrevia bem – inocência, dom. Eu tinha tantos sonhos e tantos planos – mas tudo ainda era distante, eu podia idealizar o futuro como bem entendesse. Todo mundo achava bonitinho eu ler Sargento de Milícias aos dez anos, ir pra São Carlos e dizer que queria estudar Astrofísica lá aos doze. Eu me via como uma visionária, acreditava que era especial porque tinha um dom e algum dia encontraria alguém reconheceria isso, só então eu conheceria o sentido da vida. Bem, eu encontrei. Já o dom, se algum dia existiu, aparentemente se foi. E não é simples como eu imaginava. Não é só ser correspondida e acabou.
Como posso dizer que era aquela minha essência, se eu não tinha nenhuma consciência do mundo? Se eu não sabia quão dura é a busca pela vaga numa boa faculdade, pela harmonia no relacionamento – a pressão me massacra agora e sei que mais pra frente surgirão mais preocupações, muito mais adultas que essas. Se eu achava que simplesmente seria encontrada no meio da multidão como um Where’s Wally dos talentos no qual eu chegava a resplandecer perto dos outros?
Hoje eu sei que sou quase ordinária na escrita e nas relações interpessoais. Sei o quanto é difícil tentar ser uma boa namorada, uma boa estudante, boa em tudo – e muitas vezes falhar miseravelmente.
Como posso dizer que era aquela minha essência, se eu não tinha nenhuma consciência do mundo? Se eu não sabia quão dura é a busca pela vaga numa boa faculdade, pela harmonia no relacionamento – a pressão me massacra agora e sei que mais pra frente surgirão mais preocupações, muito mais adultas que essas. Se eu achava que simplesmente seria encontrada no meio da multidão como um Where’s Wally dos talentos no qual eu chegava a resplandecer perto dos outros?
Hoje eu sei que sou quase ordinária na escrita e nas relações interpessoais. Sei o quanto é difícil tentar ser uma boa namorada, uma boa estudante, boa em tudo – e muitas vezes falhar miseravelmente.
domingo, 19 de junho de 2011
Abandonei.
Abandonei meu blog, no qual eu descrevia cada sonho bizarro e cada detalhe excruciantemente tedioso dos meus dias não muito tempo atrás. Mas continuo cheia de incertezas e medos, alguns dos de sempre e muitos novos. Já não faço mais questão de trazer à tona tudo que me acontece e colocar em discussão entre todos meus conhecidos, pelo contrário, me irrita profundamente ser interrogada sobre meus problemas, meus fantasmas, meus dias bons.
A massa disforme de pensamentos aqui presente tomou forma de texto reflexivo, subjetivo, o oposto do diário que costumava ser, mas agora reduziu-se a quase nada. Eu reduzi-me a quase nada do que eu era.
Não me importa mais descobrir o que sou, o que me importa é a mudança na qual venho trabalhando, dolorosamente premeditada porém assustadoramente repentina. Mais do que o mudar de cidade, o começar minha vida de fato e não a vida construída pela mamãe, mais do que os sonhos e os calafrios de sair de casa sozinha de certo modo – o crescer.
domingo, 5 de junho de 2011
Perfection is Overrated
Quando você diz que algo “não é ruim”, pode ser que seja bom, pode ser que seja mediano. Já o “não é bom” dá a idéia – branda, mas ainda assim consistente – de que é ruim. O que leva ao pensamento de que há um correto, poucos mais ou menos e infinitos errados. Em todas as circunstâncias.
A perfeição é supervalorizada justamente por não existir. “Mas e se eu puder criá-la?” “Mas e se ela existir pra poucos?”. Amigo, preze por ser completamente adequado o maior número de vezes possível, é o suficiente. É melhor do que buscar pelo instigante, inimaginável, e tornar-se parte de mais um dos infinitos portais ou alternativas que estão incorretos.
A perfeição é supervalorizada justamente por não existir. “Mas e se eu puder criá-la?” “Mas e se ela existir pra poucos?”. Amigo, preze por ser completamente adequado o maior número de vezes possível, é o suficiente. É melhor do que buscar pelo instigante, inimaginável, e tornar-se parte de mais um dos infinitos portais ou alternativas que estão incorretos.
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