quinta-feira, 26 de agosto de 2010

14:02

Eu tenho rido e chorado constantemente do absurdo de tudo isso. A vida é frágil e absurda, e eu também.
Ai gente, tive um sonho horrível mas acho que nem rola de contar aqui, sei lá, eu me sinto tão estúpida – essa é, aliás, a única coisa que eu tenho certeza que sinto e sei nomear perfeitamente.
E no ciclo das coisas da natureza, a única verdade absoluta é que uma solução sempre se transforma num problema. Eu era infeliz, momentaneamente tive a solução pra isso, e agora isso se tornou o problema que me faz infeliz de novo. E assim será, time and time again.
Eu não sei o que eu quero, mas eu sei perfeitamente o que eu não quero: continuar com as coisas do jeito que estão. Ser infeliz pra sempre. Ter que suportar determinados desgraçados(as).
Mentira, eu sei o que eu quero sim. Acho que saber o que você quer é a pior parte. Antes você podia se perder nas tentativas, se divertir, simplesmente tentar fugir de tudo, afinal era só um jogo que você nem sabia o que estava procurando. Qualquer coisa seria lucro.
E essa é a vida, se propagando através de ondas, cuja amplitude máxima sempre atinge menos que o esperado, e a mínima é extremamente baixa. Heinrich Hertz provavelmente me entenderia.
Ah que se foda, vou contar do sonho. Soa tão ridículo que eu consegui sentir ainda mais pena de mim mesma.
Então eu estava presa, e tentei fugir da cadeia junto com outra menina muito porra louca. Só que deu errado, atiraram na gente e algemaram. Ok, fiquei lá na cela, por muito, muito tempo. Daí me levaram pra um lugar que tinha uma janelinha, e a Leh estava do outro lado. Pedi pra ela chamar o Diogo, porque eu ia ficar presa por pelo menos mais dois anos, e queria vê-lo. Ela foi chamar, mas ele não quis ir me ver. Daí me colocaram diante de outra janela e eu vi ele com ~~ela~~.
Gente eu acordei tão mal com isso, depois melhorei, depois piorei de novo, depois fiquei chorando na sala, depois a Ana me fez rir, depois... depois é o agora e eu estou apenas perdida.
Não consigo decidir se isso tudo de maio pra cá foi um grande acerto mascarado de grande erro, ou um grande erro mascarado de grande acerto. Mas que eu estou ficando cheia disso, ah, eu estou. Fico com raiva, penso em dizer pra ele se virar sem mim, pra ele ir pro inferno com a amiguinha dele, ver se ela faz por ele o que eu faço, deixar ele completamente sozinho. Mas eu não consigo. Eu me sinto responsável. Ele me olha, ou às vezes nem olha, e eu derreto, me sentindo incapaz de fazê-lo sofrer ainda mais.
Ou talvez eu esteja apenas me sentindo importante sem ser, sabe, como naquele poema bonitinho que diz que tem o importante que sabe que é comum, tem o comum que se acha importante, tem diamante que sabe que é pedra, tem pedra que se acha diamante, e o tempo passa levando comuns, importantes, pedras e diamantes.
Mas eu queria conseguir apenas me afastar um pouco, pra mostrar pra ele que tudo poderia ser pior sem mim, porque ele realmente não dá valor nenhum ao fato de ter uma amiga que faz de tudo por ele, que fica péssima quando ele fica péssimo, que se importa de verdade. Coisas que eu relevo pra não aborrecê-lo, mas que me matam, de verdade.
Ou então, me afasto e me dou conta que ninguém precisa de mim e que eu me preocupo tanto porque eu quero. They’re better off without me.
Sabe quando algo/alguém te faz um bem absurdo, e depois acaba fazendo um mal maior ainda? Sério, a cada segundo tudo fica se despedaçando e se reconstruindo em looping infinito, e eu honestamente não suporto mais. Queria ser forte pelos outros e masoquista ou inabalável, mas só tinha ser eu mesma.
Só queria dizer que I love you in every possible way and I wish I was all you need to be happy.
Eu queria ser capaz de dizer pelo menos metade do que eu tenho pensado e sentido, mas daí seria ridículo demais. A gente chega numa idade que tem que aprender a se censurar, se controlar, distorcer menos as coisas por causa de sentimento.
Preciso deixar registros pra posteridade que não me envergonhem (até agora não consegui) afinal, segundo Clarice, sentir é um fato e pensar é um ato.
E pensar que quando eu era mais nova eu nutria um grande sentimento de desprezo por ela, achava que era apenas mais um desses clássicos supervalorizados. Mas agora começo a perceber a genialidade incoerente, profunda e paradoxal dela... é Clarice, amiga, vamos sair pra tomar umas cervejas que a gente tem muita coisa em comum.

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