sábado, 28 de agosto de 2010

15:34

Queria escrever até arrancar minha alma fora no papel — no caso, na tela do computador —, passá-la a limpo, esvaziá-la e esquecer tudo, mas é mais um dos pequenos desejos irrealizáveis que constroem o que eu sou (nada), o que eu fiz (nada) e o que eu sonho (porra nenhuma).
Tudo em mim é sofrimento, mesmo que eu não saiba por quê. Acho que pra filosofar/escrever sobre a natureza humana você precisa mergulhar na mais profunda tormenta. E essa sou eu fazendo as coisas como devem ser.
Não consigo me conformar de que tudo precisa ter um fim. Prefiro que tudo seja (ainda mais) vazio do que sofrimento. Não sei o que se passa. Não me preocupo em saber exatamente o que eu quero porque sei que de qualquer modo nunca vai acontecer.
Essa sou eu, só figurante na vida das pessoas. Felicidade, isso não é pra mim. Amor, até pode ser, mas só se for trazendo conseqüências desastrosas, senão não é amor, senão não é comigo.
Olha, na real, eu queria era que o mundo acabasse, porque só me matar já não seria o suficiente. Eu prefiro morrer do que passar o resto dos meus dias em looping, fazendo as coisas ordinárias de sempre.
O que sempre me animou a viver foi pensar que talvez, apenas talvez, algumas das coisas que eu queria aconteceriam. Mas foi essa ilusão, essa falsa esperança que me torturou. Por mais que eu diga que não vou sentir nada, eu passo um tempo conseguindo e depois volta tudo, com mais força ainda, uma vez que aquilo esteve acumulando uma energia potencial tremenda. Você pode represar seus sentimentos, até que eles se tornem mais fortes que a barreira que você criou, te invadam e inundem seus olhos.
Esse é o meu pra sempre, completamente sem convicção. Estou sem rumo. É como se você me arrancasse o sol e me mandasse girar ao redor de outra coisa. Estou perdida, fora de órbita, sem saber o que fazer.
Mas chega, sabe? Eu sei que eu ia passar a vida inteira sofrendo. Meu deus, errar uma vez não é o suficiente? Eu tinha que ser tão masoquista? Eu tinha que acreditar na mudança das pessoas? Eu tinha que, não somente me dispor a tentar a mesma coisa — o mesmo erro — infinitamente, mas também acreditar que seria diferente?
Eu tinha. Eu sou estúpida o suficiente pra isso.
Você não tem culpa de não me amar, mas você também não merece tudo o que eu ouso sentir. E eu não tenho culpa de te amar, mas também não tenho obrigação nenhuma de estar ao seu lado em tudo, suportar tudo, ser doce e servil, quando isso me faz tão mal. Então ficamos assim, longe como quase sempre, e pra sempre. Você nunca se importou, não vai ser agora que vai fazer diferença.
Morra, faça tudo o que você queria fazer e eu me opus, tudo o que me irrita, me difame e viva plenamente a vida de merda que você gosta de ter. Você está livre e sozinho. Eu sinceramente desisto.
É sem convicção que eu digo todas essas coisas, mas espero me manter nisso. O problema sou eu, apenas isso. Se eu não fosse ridícula e insuportável — ou seja, se eu fosse outra pessoa —, tudo seria diferente. Até os personagens que eu crio pra mim mesma são ridículos e insuportáveis.
E eu me enxergo em todo lugar, exceto aonde você está. O mundo ao meu redor é estranho agora que eu já não te tenho mais, eu só queria mas eu nem sei mais. Eu quero um segundo de silêncio, será que é pedir demais? Eu só queria, mas eu nem sei mais como é você.

Não quero sair, quero passar a noite toda aqui olhando pro nada, mas por outro lado sei que a Leh vai fazer o possível pra me animar hoje. Ela é a única pessoa que faz comigo o que eu faço com todo mundo, fica super preocupada, cuida de mim etc.

Daí eu começo a pensar se não é melhor sofrimento do que vazio.
Porque eu não podia nascer bonita sem cérebro? Não, tenho que nascer horrorosa e pensando demais sobre tudo.

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