sábado, 7 de maio de 2011

Temível Pégaso

Incrível como as pessoas se apegam a símbolos pra fingir que tudo está bem.
Tratam da morte do Osama como se fosse o fim do Mal. É como estar de volta à época da inquisição, quando a morte de uma feiticeira era vista com grande alívio – mais que isso, com uma satisfação animalesca em matar. Mas não por gostar de sangue quente, mas por ideologia. Patética, absurda, mas já infundida no senso comum.
Não existem bonzinhos. Porque, dos infinitos pontos de vista que se pode ter sobre um tema, pelo menos um dos ângulos o verá como vilão.
É sabido que Osama já esteve do outro lado. Durante a guerra fria, o líder da Al-Qaeda foi recrutado, vejam só, pela CIA. Ontem uma menina do cursinho usou o termo “cobra criada dos EUA”, uma definição inteligente e precisa.
E sinceramente, creio que as autoridades não dão a mínima pras três mil pessoas que morreram, gerando luto mundial – porque nós assistimos à cobertura do atentado com as lentes americanas –, pânico completo (mesmo que eu fosse muito nova pra saber disso na época) e um filme ruim com o Robert Pattinson. Eles se preocuparam com o impacto sobre o Pentágono, e sobretudo por terem tido uma falha na segurança.
Enfim, o ponto de vista que eu quero deixar claro: Osama bin Laden morreu por puro e burro simbolismo, considerando que esteja morto. E se não estiver, mais burrice ainda, vão acabar pagando caro sem nem terem matado o cara.
Sua morte pode fazer os americanos respirarem aliviados por algum tempo – sabe-se lá quanto tempo? – mas eventualmente, haverá novos ataques, novos revides, mais ataques. Nem sei mais quem foi que começou isso. Caso alguém tenha paciência pra ler toda a história do terrorismo, isso aqui me parece bom (claro que eu não li tudo).
O ataque foi como cortar um ser que se reproduz por bipartição achando que vai matá-lo. É como Medusa, grandiosa e temível, sendo destruída por Perseu, mero mortal, que apenas usou seu escudo para refletir a imagem da Górgona de volta – resta saber como será o Pégaso da nova ordem mundial após a Terceira Grande Guerra, desta vez química, física e biológica, tão letal que quase quero pedir ajuda de Atena e Hermes.

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