Não se regride. Trilha-se, ao longo de um extenso caminho, alguns trechos muito similares a um já traçado. Mas por mais que você queira, não pode voltar pra sexta à noite, quando o final de semana oficialmente começou – contente-se em esperar a próxima. E valorize os dias bons, muitas vezes similares mas nunca idênticos.
E é exatamente a mesma coisa com a vida, porque ela é o próprio tempo. “Lifetime” é uma palavra um tanto redundante porque não sem o tempo não há a vida. Mas sem a vida, há o tempo. Logo, esta é a maior força existente. Intransferível, indestrutível, não pode ser parada.
É claro que você pode parar. Andar pros lados. Nisso a vida difere do tempo, por não ser uma força tão devastadora quanto ele. Mas desejar o passado, valorizar mais o já transcorrido do que o a transcorrer, é patético. As pessoas pensam que estão sendo profundas. Tenha boas lembranças da sua infância. Odeie a moda atual. Diga que sua pré-adolescência foi muito mais bem-aproveitada do que a das meninas de doze anos de agora, porque toda geração acha que as outras são uma porcaria. Mas em relação à sua própria vida, é claro que o futuro será melhor. Não acreditar nisso é viver sem propósito.
A cada ano que passa, os mais velhos falam que sua vida está só começando, ou mesmo que nem começou. Mas aos 16, 17, você sabe que já passou por um bocado de coisa – mesmo que sim, ainda tenha muito a viver e a conhecer. É um tanto paradoxo, você já esteve em dificuldades, mas provavelmente virão maiores. Às vezes elas parecem sofrimentos intermináveis, às vezes coisas bobas, apenas pedaços de fios, comparadas à tapeçaria da vida.
Pensando nos últimos meses, eu vejo que fui irresponsável e não me arrependo – não adianta. Mas a partir do momento que você começa a sair da areia movediça na qual estava acostumada a viver, respirar ar puro e ter liberdade de movimentos passa a fazer muito mais sentido, e você simplesmente quer sair de lá e nunca mais se afundar de novo.
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