Depilação é uma das coisas mais chatas do universo, e não venha me dizer que é um mal necessário, porque a maioria das européias não se depilam.
Lembro quando eu li 100 escovadas antes de dormir, um livro italiano sobre uma menina que dá pra todo mundo, e tipo, além de feia e gorda, ela é peluda, mas todo mundo quer comer ela.
Porque eu ainda não fui pra Itália né?
Tudo é, de fato, uma questão de ponto de vista. Depilação é coisa de ameríndio e não estou de brimks. Nos EUA chamam a depilação com cera de depilação brasileira, e daí, lendo Gossip Girl (qualquer coisa sobre “depiladora brasileira no Elisabeth Red Door’s”) que eu fui me tocar que isso é coisa da nossa cultura.
Ok, pode ser bonito ver as pernas lisas de uma modelo super photoshopada, mas não fica assim na vida real (se alguém tiver uma depiladora perfeita pode me dar o número viu. A minha é foda, mas não fica assim), mas e a dor? Tipos, é um método bem primitivo essa coisa de passar mel quente e puxar né?
Enfim, eu não precisava dedicar um post todo a isso, mas estou revoltada com o creme depilatório que acabei de usar nas axilas, estou com tédio esperando a Aline chegar, e sobretudo queria enfatizar que tudo, absolutamente tudo, é uma questão de ponto-de-vista. Por mais burra que seja a ideologia de um povo, pode ter certeza que quem a criou não era tão burro assim, porque conseguiu não somente difundi-la, mas fazê-la ser aceita como se fosse a certa. Vai você brasileira falar pra um cara que você acha que seus pêlos são lindos e femininos, pra ver se ele te come. As italianas e boa parte das européias fazem isso.
Eu cheguei a dizer: Deus devia estar bem puto com Eva quando resolveu que mulher devia ter pêlo né.
Mas na verdade, se a Eva fosse italiana, a gente não teria que passar tanta dor desnecessária.
História do mundo: tornar necessárias coisas que eram desnecessárias, e convencer um grande grupo de pessoas de que elas são necessárias. As coisas se entrelaçam tanto que você já não sabe mais o que você precisa e o que você não precisa, apenas o que você quer. Eu quero ser aceita pela sociedade e estar no padrão que a sociedade onde eu vivo considera bonito e higiênico. Ou seja, vamos sofrer.
Não sou do tipo que culpa a sociedade por tudo (alô Diogo), até porque são as pessoas que fazem a sociedade, de modo que, né? Todo mundo contribui de algum modo pro que vivemos, seja vendo pelo lado positivo, ou pelo negativo. Nem sou do tipo feminista-naturalista-que-nunca-viu-uma-gilete-na-vida. Mas né? Às vezes a gente tem que refletir um pouco sobre essas coisas aparentemente bobas, pra fugir da completa alienação.
Nenhum comentário:
Postar um comentário