Daí você está andando pela praça pra ir pra academia e vem na sua mente um texto sobre a efemeridade das coisas.
(obrigada @Huistoi pela palavra ~efemeridade~, eu ia usar ~transitoriedade, mas ~efemeridade~ é muito mais foda)
Não existe clichê maior, mas eu estava realmente comprovando, em todos os âmbitos da minha vida, quão rápidas são as mudanças.
Tipo, comigo é assim: reclamo que nada acontece no momento, mas vendo aquele fato como um todo, vejo que muita coisa mudou.
Lembra que quando eu comecei a namorar com o Diogo, eu dei uma blusa minha pra ele? Foi a coisa mais linda do mundo no momento, daí esses dias eu tava num janelão com Bryan, Aline, Diogo e Raffa, e disse que não sou romântica, sou fria (bem-vindo aos moldes em que o mundo te coloca, porque um mês e meio eu era a pessoa mais melosa ever né).
E o Bryan e a Aline jogaram na minha cara esse negócio da blusa.
E eu disse, pelo menos mentalmente: “nós éramos jovens e apaixonados. E quando foi isso? Mês passado.”
O fato é que não é só pele e cabelos que são organismos vivos em constante mutação. Nossa mente é (e é de verdade, neurônios não vivem pra sempre né? Mas estou falando figurativamente e tal).
Tipo, eu não consigo acreditar agora meu melhor amigo é o cara que um mês atrás fazia planos de casar comigo, e um ano atrás usava o nick Srto Squirtle em letrinhas modificadas no orkut.
Mas daí eu olho pra mim mesma e também não consigo acreditar que um ano atrás eu tinha acabado de pintar meu cabelo de vermelho (porque parece que eu sempre tive né? Mas nems, já tive cabelo de tudo quanto é cor, vocês devem saber) e que eu usava calça leggin porque não cabia em nenhuma calça jeans, ou mesmo que um mês atrás eu também era essa pessoa boba e apaixonada que faz textos bonitos sobre o amor.
Agora minha relação com o amor é puro epifitismo – só aceito o tipo de amor que se agarra à mim e me usa sem me desprivilegiar. Amo as pessoas até o ponto que elas se tornam capazes de me fazer mal, capazes de tomar as rédeas da minha vida das minhas mãos. Daí, é automático: meu coração, ou mente, ou qualquer outra coisa do gênero bloqueia a pessoa e reporta spam dela na minha vida, e caso liquidado.
Já há algum tempo carrego comigo duas definições de vida. Não são absolutas, porque além da Stefhani do Crossfox, nada no mundo é.
A primeira é a mensagem de Another brick on the wall. Gente virando carne moída, se moldando às situações. É o que eu tenho feito. Tento moldar o mundo a mim sempre que possível, tenho essa coisa de fazer as pessoas ao meu redor terem um pouco de mim. Mas também adquiro um pouco delas, e um pouco do mundo. Ser moldado não é cruel, desde que você tenha consciência do que está te transformando, e no que você está sendo transformado.
Porque é assim comigo e com algumas pessoas ao meu redor. A gente sente vergonha do que foi no passado. Gente que não sente vergonha simplesmente não evolui. Tudo o que eu fiz e fui foi sincero, foi baseado no que eu acreditava, mas eu mudei. Simples assim. Ou assustadoramente complexo.
E a segunda é a frase “A vida é frágil e absurda”. Reparem que são dois adjetivos ambíguos, podem ser descritos sob diversos pontos de vista. Eu poderia dizer que a vida é fascinante, ou que a vida é algo que só serve pra te destruir, mas eu prefiro ficar neutra. Tenho meus momentos de ver a vida cheia de açúcar tempero e tudo que há de bom, mas também tenho meus momentos de ver a vida como algo ruim. Pra mim a vida é meio que um pacman, você tem vários modos de conseguir seu objetivo, mas nem sempre consegue. Às vezes você domina, às vezes é dominado.
Mas de todos os ups and downs, rights and wrongs, a definição que pra mim permanece, e que mostra a efemeridade, a transitoriedade e o paradoxo que é a vida, é a frase: A vida é frágil e absurda.
3 comentários:
Nossa, falou TUDO nesse texto, adorei.
Final foda :D
Mas o fato é que para a vida ser vida,tem que haver esses ups and downs.Enfim,legal :3
obrigada seus limdos *-*
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