segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
tears of dragon.
Nove. O maior número existente, se você considerar apenas um dígito. Para os chineses, símbolo de sorte, grandeza e imponência, por ser relacionado aos majestosos dragões típicos do país. Não que eu vá dar tanta credibilidade a uns caras que comem insetos e começam o ano dia três de fevereiro, mas eles também inventaram o sorvete, de modo que decido dar-lhes esse crédito.
Porque é um número grandioso. Algumas pessoas vêem o 23 em tudo. Ou o 11. Eu não vejo porra nenhuma porque não me dou ao trabalho de fazer cálculos elaborados e mirabolantes, mas creio que o nove esteja fortemente ligado a ciclos. Toda década, século, milênio, termina nele. O número mais alto que pode ser escrito numa calculadora é uma seqüência de noves. Em meses, é aproximadamente o tempo necessário para gerar uma nova vida humana.
Seja por volubilidade ou seleção natural, uma nova vida nunca é apenas o nascimento. O que dizer de todas as transformações nesse período? Como descrever o profundo e verdadeiro processo de edificação pelo qual venho passando desde 30 de maio, quando percebemos que depois de uns treze meses um sabendo da existência do outro e tentando dar certo como estranhos, finalmente estávamos dispostos a nos conhecer? Mas conhecer genuinamente, as entranhas, os medos, os sonhos, o âmago.
Como descrever o que me ia à alma enquanto eu caminhava em direção a ele? Chegamos praticamente ao mesmo tempo, um de cada lado do calçadão. Era uma noite densamente nublada, mas mais tarde, logo ao chegar em casa, ele me ligaria pra ir lá fora ver a lua. Ele sentou-se no banco enquanto eu me aproximava lentamente, os últimos instantes de apreensão. Acho que dava pra sentir a estática no ar.
Eu o abracei com força e ele teve tempo de murmurar um “oi tudo bem” antes que eu o beijasse. Eu ainda era uma garota rechonchuda de quinze anos (o que ainda não é muito diferente), com tão pouco contato com o sexo oposto que jamais tinha começado um beijo, de modo que foi um ato de coragem, mas eu sabia que ele corresponderia.
Fomos andar por aí tomando chocolate quente com sorvete por cima ou comendo petit gateau – o que importa? –, eu ainda sem saber como seria dali pra frente.
Sentamo-nos num banco duma pequena praça mais afastada. Aqueles beijos e olhares mais doces que o próprio chocolate morno me fizeram ter certeza de que eu queria tentar novamente e dessa vez de verdade. Eu tinha sido uma vaca com ele no ano anterior. E ele também não tinha sido propriamente bonzinho. Então timidamente falei que ele prometera, uns meses antes, me pedir em namoro oficialmente e nunca o fizera. Mas não importava, porque na época não era real.
Ele ajoelhou-se diante de mim, disse que me amava, e que começar um novo capítulo não bastava, nós iríamos começar um novo livro. E me pediu em namoro, evidentemente.
Nos abraçamos com força, a noite ligeiramente gélida sendo o menos importante dos motivos, e passamos o que poderiam perfeitamente ser eras assim, sem estrelas, mas com I’ll follow you into the dark, os olhos marejados pela maior felicidade que eu já havia sentido até então, e o verdadeiro começo de um amor infinito.
E enfrentamos tanto desde então, que se não fosse o amor a me amparar, eu tenho certeza que jamais teria forças. Mas também fomos tão felizes que eu acredito que seja o ápice da realização que se pode ter nesse mundo. Ser feliz por nada em especial. Só por um toque, um beijo que faz suas entranhas dançarem tango, só por sentir um coração batendo junto ao seu e com os mesmos propósitos. Só por sentir que cada momento junto a ele vai compensar todas as agruras da sua existência. “‘Cause with you I’d withstand all the hell to hold your hand” é uma frase tão verdadeira. Você nunca terá idéia da sua capacidade de superação até que ame sinceramente. Só sou capaz de enfrentar minha via-sacra diária graças ao que me fortalece e edifica como ser humano e como mulher. Mesmo os momentos mais ordinários ao seu lado são melhores que quaisquer outros, porque posso me sentir feliz ou realizada com meus feitos independentes, mas jamais poderei me sentir completa se não for perpetuando o que tenho vivido nos últimos nove meses.
domingo, 20 de fevereiro de 2011
i can't deny you, i feel so alive.
É tão bom saber que você não está sozinha. É claro que pra buscar suas próprias realizações, quase tudo é individual. Mas me sinto imensamente feliz ao lembrar que quando algo dá errado ou simplesmente tudo parece sem-graça demais, eu tenho uns poucos e bons amigos pra me darem compreensão e me divertirem, meu namorado pra me amparar e me mostrar que aconteça o que acontecer eu o terei ao meu lado.
Ontem a Nadine veio pra Araçatuba, tava com tanta saudade dela. É estranho como gente que você só viu duas vezes pode ser tão importante. Levei o Diogo e ela levou a melhor amiga, Ana, que eu da última vez conheci e gostei muito. Até onde eu sei, todo mundo se amou. O Diogo estava precisando sair, conhecer gente. Somos um bocado fechados em nós mesmos. Não vejo isso como um problema, mas devo dizer que fico feliz de ver nós dois tendo amigos. Ele tinha uma única amiga, uma boa garota com quem eu simpatizava mas não era próxima, e agora apenas mantém contato; eu tinha uma única amiga que ele adorava e deu merda. Nada mais saudável que novos ares.
Falando em salubridade, devo dizer que aquela batata frita fez eu me sentir viva (mesmo que por pouco tempo se eu continuar comendo com essa frequencia). O porks é o único lugar do qual eu vou sentir falta quando me for, de verdade mesmo. Todos são tão legais comigo lá, e foi absolutamente fabuloso quando o dono disse que eu fiquei bonita com o cabelo roxo enquanto a Nadine saía com Heinekens nas mãos, atraindo o olhar dos mais tr00s no ambiente pra sua bunda enorme com uma sainha de cintura alta linda que eu tinha visto na vitrine da Pernambucanas quinta-feira.
É esse tipo de coisa que realmente fica na sua vida, certo? Mesmo que o lindo do seu namorado depois fique com ciúme e diga que o cara só vai com a sua cara porque lá só tem homem.
Ficamos tanto tempo conversando sobre tanta coisa, no bar e depois no saguão do prédio da Ana, sentados num sofá que certamente custa mais do que a minha casa. Ela é bem rica mas você nunca perceberia isso pelo modo como ela age, tão sem frescura e legal com todo mundo. Acho incrível o fato das duas serem apenas um ano mais velhas do que eu e terem tanta coisa a dizer. Claro que tive uma coisinha ou outra de experiência inusitada pra relatar a elas, entre gargalhadas, mas no geral quem fica boquiaberta escutando sou eu. Sempre me achei um bocado inteligente. Sei que nunca fui interessante mas sabia prender meu público com minhas pequenas histórias cotidianas contadas de um modo menos tedioso. Mas agora eu vejo, o quanto tenho a ouvir, talvez até mais do que a dizer. Às vezes quero chorar de desgosto porque não tenho uma vida animada, interessante. Mas eu sei que os melhores anos da minha vida estão próximos e, se a vida é como um livro, se eu já o li por tanto tempo sem desistir por completo, é porque de algum modo simplesmente sei que o clímax não vai decepcionar.
Ontem a Nadine veio pra Araçatuba, tava com tanta saudade dela. É estranho como gente que você só viu duas vezes pode ser tão importante. Levei o Diogo e ela levou a melhor amiga, Ana, que eu da última vez conheci e gostei muito. Até onde eu sei, todo mundo se amou. O Diogo estava precisando sair, conhecer gente. Somos um bocado fechados em nós mesmos. Não vejo isso como um problema, mas devo dizer que fico feliz de ver nós dois tendo amigos. Ele tinha uma única amiga, uma boa garota com quem eu simpatizava mas não era próxima, e agora apenas mantém contato; eu tinha uma única amiga que ele adorava e deu merda. Nada mais saudável que novos ares.
Falando em salubridade, devo dizer que aquela batata frita fez eu me sentir viva (mesmo que por pouco tempo se eu continuar comendo com essa frequencia). O porks é o único lugar do qual eu vou sentir falta quando me for, de verdade mesmo. Todos são tão legais comigo lá, e foi absolutamente fabuloso quando o dono disse que eu fiquei bonita com o cabelo roxo enquanto a Nadine saía com Heinekens nas mãos, atraindo o olhar dos mais tr00s no ambiente pra sua bunda enorme com uma sainha de cintura alta linda que eu tinha visto na vitrine da Pernambucanas quinta-feira.
É esse tipo de coisa que realmente fica na sua vida, certo? Mesmo que o lindo do seu namorado depois fique com ciúme e diga que o cara só vai com a sua cara porque lá só tem homem.
Ficamos tanto tempo conversando sobre tanta coisa, no bar e depois no saguão do prédio da Ana, sentados num sofá que certamente custa mais do que a minha casa. Ela é bem rica mas você nunca perceberia isso pelo modo como ela age, tão sem frescura e legal com todo mundo. Acho incrível o fato das duas serem apenas um ano mais velhas do que eu e terem tanta coisa a dizer. Claro que tive uma coisinha ou outra de experiência inusitada pra relatar a elas, entre gargalhadas, mas no geral quem fica boquiaberta escutando sou eu. Sempre me achei um bocado inteligente. Sei que nunca fui interessante mas sabia prender meu público com minhas pequenas histórias cotidianas contadas de um modo menos tedioso. Mas agora eu vejo, o quanto tenho a ouvir, talvez até mais do que a dizer. Às vezes quero chorar de desgosto porque não tenho uma vida animada, interessante. Mas eu sei que os melhores anos da minha vida estão próximos e, se a vida é como um livro, se eu já o li por tanto tempo sem desistir por completo, é porque de algum modo simplesmente sei que o clímax não vai decepcionar.
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
high school never ends
Acabo de lembrar porque passei os últimos dois anos dormindo e tagarelando amenidades nas aulas, levando a escola pelas coxas. É impossível fazer qualquer coisa naquela maldita sala. Só uma semana de ano letivo e já estou chorando de frustração. Eu odeio essas vadias burras que falam como se sentar na frente e tirar notas boas fosse vergonhoso. Eu sei que, entre eu e elas, provavelmente quem vai estar fazendo boquete por um real ano que vem vão ser elas, mas e esse ano? E esses meses todos que eu vou ter que suportar tamanho massacre psicológico, e ao mesmo tempo pressão pra decidir meu futuro?
Ano passado, quando eu me sentia feliz, eu sabia que aquilo seria o auge de toda a minha vida. Eu não tinha preocupações. Eu podia ver meu namorado todo dia, mesmo que ele passasse por mim na escola como se não tivesse me visto. Eu tinha uma melhor amiga de quem, apesar de tudo – e Deus sabe o quão “tudo” é isso –, sinto um pouco de falta. Mal lembrar da existência das pessoas nas férias é mole, difícil é estar junto delas e não perceber a importância que elas têm ou a falta que elas fazem.
Back in class again, you feel just like an empty pen, loss for words and void of purpose. They’ll try to convince you, and tell you that they’re right. They’ll break you and beat you, steal away your life. And tell you that you’re nothing and they’ll never get it right, but high school is the place where dreams go to die.
Well, we'll be more than they'll ever be, just bitter from their own failed dreams. They're desperate, and do anything to bring you down. Well, we'll do more than they ever did, talk down to some poor old kid. We are the ones, the ones who made it.
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
imagination is my defense.
Olha esses filmes com gente que junta dinheiro pra faculdade cortando a grama do vizinho nas férias, têm carro próprio – e do ano! – e conseguem entrar nas melhores faculdades com um monte de nota B e C deviam ser proibidos no Brasil por iludirem a gente.
Estou me matando pra conseguir dinheiro pra faculdade, desejando mais do que nunca ser uma riquinha babaca e acéfala que pode pagar pra entrar em qualquer particular mais ou menos renomada, ou simplesmente vai pra Paris porque afinal pra que estudo se seus pais já conquistaram tudo por você?
Minha avó e minha mãe se foderam muito na vida, de modo que não vai ser difícil ir mais longe que elas. Mas não quero apenas isso. Quero ser a melhor em tudo o que eu fizer, porque acredito que só assim é possível ter reconhecimento trabalhando naquilo que eu gosto e que quase nunca dá dinheiro. Por mim eu não teria motivação alguma. Não tenho onde cair morta, cogitava seriamente nem fazer faculdade. Embora tenha algum potencial mental, não me importaria em trabalhar em algo mais rudimentar.
Então me vem a luz sobre as trevas, me fazendo vislumbrar algo para o futuro. Ainda meio borrado e disforme, ou deve ser apenas minha visão turva devido à distância, mas finalmente consigo pensar exatamente o que eu quero.
Dizem que o verdadeiro amor nos edifica e nos faz querer ser melhores, então que assim seja. Ele é tão forte, tão preocupado, tão centrado. Gostaria de ser assim. Quero que ele tenha cada vez mais orgulho de mim, que me veja a seu lado e não perdida no caminho muitos passos atrás, sendo um estorvo. Que olhe pra mim e não pense um segundo sequer que escolheu passar a vida com a pessoa errada.
É claro que eu desejo me casar um dia. Almejo cumprir todas minhas funções de mulher porque sei que me é natural querer cuidar e ser protegida. Mas antes começarei a cumprir minha função como ser humano – tornar o mundo um lugar melhor. Sobretudo para dar à família que eu já tenho e à que constituirei um dia tudo o que me faltou. Mas também pra que eu seja alguém que faz a diferença no mundo. Sobreviver é mole, quero ver é vencer na vida pelos próprios esforços e ainda contribuir para que o mundo seja melhor. Meu modo é através das palavras. Eu tenho tanto a dizer, eu tenho tanto a aprender para transmitir. Eu quero um dia dizer aos meus filhos como foi difícil pros pais deles entrarem numa boa faculdade, viver com o salário de professores, construir a casa em que eles viverão. E ensinar-lhes que eu vou lhes dar tudo, mas isso não significa que o mundo também o fará.
Estou me matando pra conseguir dinheiro pra faculdade, desejando mais do que nunca ser uma riquinha babaca e acéfala que pode pagar pra entrar em qualquer particular mais ou menos renomada, ou simplesmente vai pra Paris porque afinal pra que estudo se seus pais já conquistaram tudo por você?
Minha avó e minha mãe se foderam muito na vida, de modo que não vai ser difícil ir mais longe que elas. Mas não quero apenas isso. Quero ser a melhor em tudo o que eu fizer, porque acredito que só assim é possível ter reconhecimento trabalhando naquilo que eu gosto e que quase nunca dá dinheiro. Por mim eu não teria motivação alguma. Não tenho onde cair morta, cogitava seriamente nem fazer faculdade. Embora tenha algum potencial mental, não me importaria em trabalhar em algo mais rudimentar.
Então me vem a luz sobre as trevas, me fazendo vislumbrar algo para o futuro. Ainda meio borrado e disforme, ou deve ser apenas minha visão turva devido à distância, mas finalmente consigo pensar exatamente o que eu quero.
Dizem que o verdadeiro amor nos edifica e nos faz querer ser melhores, então que assim seja. Ele é tão forte, tão preocupado, tão centrado. Gostaria de ser assim. Quero que ele tenha cada vez mais orgulho de mim, que me veja a seu lado e não perdida no caminho muitos passos atrás, sendo um estorvo. Que olhe pra mim e não pense um segundo sequer que escolheu passar a vida com a pessoa errada.
É claro que eu desejo me casar um dia. Almejo cumprir todas minhas funções de mulher porque sei que me é natural querer cuidar e ser protegida. Mas antes começarei a cumprir minha função como ser humano – tornar o mundo um lugar melhor. Sobretudo para dar à família que eu já tenho e à que constituirei um dia tudo o que me faltou. Mas também pra que eu seja alguém que faz a diferença no mundo. Sobreviver é mole, quero ver é vencer na vida pelos próprios esforços e ainda contribuir para que o mundo seja melhor. Meu modo é através das palavras. Eu tenho tanto a dizer, eu tenho tanto a aprender para transmitir. Eu quero um dia dizer aos meus filhos como foi difícil pros pais deles entrarem numa boa faculdade, viver com o salário de professores, construir a casa em que eles viverão. E ensinar-lhes que eu vou lhes dar tudo, mas isso não significa que o mundo também o fará.
sábado, 12 de fevereiro de 2011
don't wanna lose you now.
Eu percebi que não existe erro, acerto, perda, ganho. São rótulos que se cria pra que haja motivação pra vitória, consolo pra perda. Ilusórias. Superficiais. Somos seres tão rasos que só temos compreensão de apenas três dimensões, de uma só vida, de um único demônio.
Tão momentâneo e fugidio seguir regras ridículas estabelecidas por seres de sangue e ossos assim como você, mas que ainda assim se julgam superiores. Estranho seria se eles perdessem seu próprio jogo. Mas prefiro não me envolver nesses pequenos jogos medíocres onde são os jogadores que fazem as próprias regras. Não me importo de ser um azarão das efemeridades, desde que consiga me manter firme naquilo que é realmente grandioso e que jamais será falho.
Jamais perdi, jamais venci. Tantos que valorizei quase como que se fossem meus irmãos, e hoje exulto por ter me livrado deles. Tanto que não conquistei e simplesmente percebo que nunca seria meu. Porque creio de toda a minha alma, e perdoem-me se eu estiver errada, que as pessoas pertencem umas às outras. Não por submissão à autoridade mas por laços de amor, afinidade e resgate de dívidas de tempos remotos. Pertencemos uns às vidas dos outros por algum rascunho feito por nós mesmos quando tínhamos muito mais consciência da grandiosidade de nossas almas e da nobreza que uma dose de sofrimento pode trazer a qualquer coração.
Toda vitória é momentânea e por mais que almeje algumas delas, sei que tudo aquilo que realmente sou e o que realmente há de ser jamais vem em forma de vitória mundana, barata e efemeramente satisfatória. Tudo o que é verdadeiro não é propriamente vencido, porque vencer nesse mundo significa derrubar todos os outros. O que há de mais sublime vem predestinado, assim como a rota normalmente árdua para alcançá-lo. A vida é como um caça ao tesouro num labirinto, no qual cada um tem seu labirinto individual. Se há esfinges, é porque podemos decifrá-las. Porém, todo aquele que se dá ao trabalho de sair de seu próprio labirinto, largando assim seu tesouro sem conquistar, apenas para enfiar-se no labirinto alheio e alongar-lhe ainda mais o caminho, é tão digno de pena quanto de fracasso.
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
i always been a high school looser.
Esse blog cobre o meu período colegial. Não me orgulho da maioria dos textos mas sei que isso é bom. Significa que eu cresci, que eu me tornei melhor que aquilo. Vocês bem sabem que passei boa parte do primeiro ano tentando fazer parte do que a maioria considera cool, mas graças a Deus fiz umas boas amizades pra me mostrar que eu não nasci pra ser mina de pagodeiro.
2010 foi um salto, apesar de eu ter perdido tempo com mais de uma pseudo-amizade que não valiam nem um uêpa do Rick Martin. Eu conheci, finalmente, o verdadeiro amor, a verdadeira hidratação capilar, a satisfação de caber numa calça quatro números menores. E sou tão grata por ter alcançado tais coisas que as pessoas almejam por uma vida inteira ou mais.
2011 efetivamente começa com fogos, champagne, minha família e oasis. É marcado, poucos dias depois, pela mais horrível briga seguida da consumação do infinito, pela confirmação da eternidade. Aliança significa o mundo pra mim, e vendo agora chego a ficar feliz por não termos começado a usar antes. O amor não se basta, precisa de um mínimo de maturidade, intimidade, conhecimento mútuo, consciência de que todas as coisas do universo são interligadas por alguma razão – ou milhares delas – por demais intrincadas pra seres tão ignóbeis, tão infantes da compreensão divina. Não que eu seja grande devota. Nunca me encontrei completamente em nenhuma religião, e não raro duvido de Deus. Mas aprendi a não personificá-lo como entidade, mas como força, como energia, e o que poderia ser superior a ponto de reger o universo e cada pequeno habitante dele, senão o amor?
...
Daí que esse texto era pra ser como começou meu ano letivo. Eu juro que eu não faço de propósito e que não queria ficar com um cabelo loiro e laranja. E nem pretendo ficar forever ponyta. Mas eu fiz duas descolorações pra tirar o vermelho e a tintura linda que eu comprei não pegou. Desesperada, joguei anilina laranja por cima e... kinda disaster.
Vou dar um jeito nesse fim de semana. Só queria me certificar de que não seria separada das poucas amigas de quem sentirei falta quando deixar a cidade, de quem detestaria ser privada da companhia constante com um ano de antecedência.
That thursday is a monsteeeeer. Quatro aulas de matemática. Acabo de colocar os pés na escola e já quero sair correndo e pedir alforria.
Professora de inglês de sempre falando do meu cabelo e da minha facilidade com o idioma. Eu me encolho timidamente, e ela diz com sarcasmo que “uma pessoa com essa cor de cabelo realmente não gosta de aparecer”.
Segunda aula, Dayton. Professor que deu física no primeiro, matemática no segundo, e só agora que ele vai voltar a ter duas aulas semanais com a gente (apoio, que é tipo uma revisão geral), eu percebo como gosto dele, como ele é realmente um gênio apesar de não raro se exceder nas brincadeiras (mas você tem que amar isso nele), e que eu realmente não devia ter passado 90% das aulas dele do ano passado dormindo ou conversando bobagens.
Daí um professor que eu nunca vi na vida, mas simpatizei, pra matemática normal. Francisco, o nome dele. Claro que ele e o Dayton podiam trocar os papéis, mas ele parece bem preocupado com nosso futuro profissional.
Depois tivemos sociologia – ou filosofia, vai ser com a mesma professora. Uma verdadeira hippie, de sandália de couro cru, calça-pescador branca, bata florida branca, traços delicados de Anne Hathaway, cabelo cacheado e fala enérgica, daquelas que provavelmente teve pais hippies e durante o impeachment era só uma criança mas mesmo assim quis pintar a cara também.
Daí que eu gostei dela porque ano passado a Sopão e o Zaguinho, que são uns amores, davam nota fácil demais. Terrível você se empenhar em algo que você gosta e ver que nego que mal sabe escrever ficou com a mesma nota.
Depois foi matemática e apoio de novo, que Deus me proteja.
E, felizmente, eu estou sentando perto de gente inteligente e de quem eu gosto muito. Quero me empenhar de verdade. Eu sei que possuo alguma inteligência, não sou nenhuma mentecapta, mas não sou um gênio. Eu quero fazer a diferença na faculdade na qual estarei dentro de menos de um ano. Quero fazer a diferença como profissional. Então meu empenho começa agora, antes tarde do que nunca.
domingo, 6 de fevereiro de 2011
got sunset in my veins
Estamos crescendo ou apenas regredindo? É apenas uma questão de tempo até que descubramos. Pegue suas lágrimas e transforme-as em gelo, porque eu juro que queimaria essa cidade inteira apenas pra te mostrar a luz.
Nós somos os terapeutas fazendo seus alto-falantes latejarem, entregando apenas o que você precisa. Nós somos cultos e envenenados, somos os melhores garotos. Nós somos os cientistas que encontraram a fórmula pra fazer seu coração inchar e explodir. Não importa o que eles digam, não acredite numa palavra sequer, porque eu continuarei cantando essa mentira se você continuar acreditando nela.
Nós somos viajados como ciganos, apenas com pior sorte e menos ouro. Nós somos as crianças que você costumava amar, mas daí elas envelheceram. Nós somos os condenados, aqui até o amargo fim, envergonhados do modo como as canções e as palavras pertencem às batidas de nossos corações. Porque eu continuarei cantando essa mentira.
Há uma droga no termostato pra aquecer o ambiente, e outra no ar pra nos ajudar a arrancar a sua verdade. Eu tenho o pôr-do-sol nas veias, e preciso tomar uma pílula pra fazer essa cidade parecer certa.
A melhor parte de acreditar é a mentira, eu espero que você cante junto e capte a mensagem, preciso te manter desse modo na minha mente. Então entre, ou apenas desista.
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
wanted my heart but i gave him my soul
Queria escrever, mas não é como se minha pauta fosse muito grande né. Ainda estou procurando emprego. Tudo seria tão fácil se eu pudesse mandar meu favstar como currículo. É muito tweet bom, livro lido, jogo zerado, pra pouca vontade de trabalhar.
Don’t get me wrong, é claro que eu quero trabalhar. Alguém (fodida) como eu não pode se dar ao luxo de não querer. Em algum lugar da minha lista de prioridades da vida, entre ganhar 100+ RT, encontrar minha próxima tatuagem, ganhar followback do Vyktor (desculpa se eu sou fã dele) e fazer dieta desintoxicante, deve haver um pequeno tópico chamado why don’t you get a job.
Não só de dinheiro, não só de perspectivas. Eu preciso encontrar minha função no mundo. Algo além de ser odiada por meia dúzia de pessoas que não reconheceriam um exemplo do conceito de viver nem se ele dançasse riverdance na cara delas. Algo além de ganhar cem followers por semana (quem dera eu ganhasse isso toda semana). Algo além de me preocupar com a próxima hidratação que eu vou fazer, o próximo livro que eu vou ler, o próximo jogo de fuga com bons gráficos e boa jogabilidade que eu vou encontrar. Me dou ao luxo de parecer frívola e bobinha porque as piores pessoas que eu conheço tentam se mostrar profundas e cheias de valores distorcidos que nem elas mesmas conseguem cumprir. Me dou ao luxo de ser feliz com essas coisinhas mínimas.
Estou começando a ter noção de futuro. De que o universo não se resume à constelação favstar (embora ela seja melhor do que todas as outras). Eu sei que existe vida pra mim em algum lugar fora desse quarto quente e escuro, dessa cidade minúscula e infrutífera, desse esse ensaio falho de alguém que um dia tem que aprender como funcionam as coisas do lado de fora da casinha da barbie.
Esses dias joguei umas séries muito boas da pastel games que eu vou guardar em 1 heart shapped box pra sempre. Estou viciada em dance dance Christa Päffgen, pra mim uma verdadeira música de amor e devoção, com uma das melhores letras do mundo e melodia excelente. Li uns livros muito bons da Mônica de Castro, terminei A Farsa e comecei O Monstro de Florença. Só estou valorizando o preço astronômico do meu presente de natal agora.
Aliás estou descobrindo o que significa essa palavra. Valorizando minhas férias porque daqui a uns dias tenho que acordar seis e pouco de novo. Valorizando minha mãe porque ela pode não ser exatamente manera mas também não é um monstro. Valorizando meu namorado porque por mais imperfeito que ele seja, foi ele que me fez encontrar sentido em todas as coisas, que me fez sentir o centro de toda a felicidade do universo várias vezes apenas ao me estreitar nos braços, que me encontrou perdida no escuro, no inferno, e me trouxe luz e gelo.
Obrigada Stephen King pela cool reference que eu fiz na última frase
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