É tão bom saber que você não está sozinha. É claro que pra buscar suas próprias realizações, quase tudo é individual. Mas me sinto imensamente feliz ao lembrar que quando algo dá errado ou simplesmente tudo parece sem-graça demais, eu tenho uns poucos e bons amigos pra me darem compreensão e me divertirem, meu namorado pra me amparar e me mostrar que aconteça o que acontecer eu o terei ao meu lado.
Ontem a Nadine veio pra Araçatuba, tava com tanta saudade dela. É estranho como gente que você só viu duas vezes pode ser tão importante. Levei o Diogo e ela levou a melhor amiga, Ana, que eu da última vez conheci e gostei muito. Até onde eu sei, todo mundo se amou. O Diogo estava precisando sair, conhecer gente. Somos um bocado fechados em nós mesmos. Não vejo isso como um problema, mas devo dizer que fico feliz de ver nós dois tendo amigos. Ele tinha uma única amiga, uma boa garota com quem eu simpatizava mas não era próxima, e agora apenas mantém contato; eu tinha uma única amiga que ele adorava e deu merda. Nada mais saudável que novos ares.
Falando em salubridade, devo dizer que aquela batata frita fez eu me sentir viva (mesmo que por pouco tempo se eu continuar comendo com essa frequencia). O porks é o único lugar do qual eu vou sentir falta quando me for, de verdade mesmo. Todos são tão legais comigo lá, e foi absolutamente fabuloso quando o dono disse que eu fiquei bonita com o cabelo roxo enquanto a Nadine saía com Heinekens nas mãos, atraindo o olhar dos mais tr00s no ambiente pra sua bunda enorme com uma sainha de cintura alta linda que eu tinha visto na vitrine da Pernambucanas quinta-feira.
É esse tipo de coisa que realmente fica na sua vida, certo? Mesmo que o lindo do seu namorado depois fique com ciúme e diga que o cara só vai com a sua cara porque lá só tem homem.
Ficamos tanto tempo conversando sobre tanta coisa, no bar e depois no saguão do prédio da Ana, sentados num sofá que certamente custa mais do que a minha casa. Ela é bem rica mas você nunca perceberia isso pelo modo como ela age, tão sem frescura e legal com todo mundo. Acho incrível o fato das duas serem apenas um ano mais velhas do que eu e terem tanta coisa a dizer. Claro que tive uma coisinha ou outra de experiência inusitada pra relatar a elas, entre gargalhadas, mas no geral quem fica boquiaberta escutando sou eu. Sempre me achei um bocado inteligente. Sei que nunca fui interessante mas sabia prender meu público com minhas pequenas histórias cotidianas contadas de um modo menos tedioso. Mas agora eu vejo, o quanto tenho a ouvir, talvez até mais do que a dizer. Às vezes quero chorar de desgosto porque não tenho uma vida animada, interessante. Mas eu sei que os melhores anos da minha vida estão próximos e, se a vida é como um livro, se eu já o li por tanto tempo sem desistir por completo, é porque de algum modo simplesmente sei que o clímax não vai decepcionar.
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