terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

imagination is my defense.

Olha esses filmes com gente que junta dinheiro pra faculdade cortando a grama do vizinho nas férias, têm carro próprio – e do ano! – e conseguem entrar nas melhores faculdades com um monte de nota B e C deviam ser proibidos no Brasil por iludirem a gente.
Estou me matando pra conseguir dinheiro pra faculdade, desejando mais do que nunca ser uma riquinha babaca e acéfala que pode pagar pra entrar em qualquer particular mais ou menos renomada, ou simplesmente vai pra Paris porque afinal pra que estudo se seus pais já conquistaram tudo por você?
Minha avó e minha mãe se foderam muito na vida, de modo que não vai ser difícil ir mais longe que elas. Mas não quero apenas isso. Quero ser a melhor em tudo o que eu fizer, porque acredito que só assim é possível ter reconhecimento trabalhando naquilo que eu gosto e que quase nunca dá dinheiro. Por mim eu não teria motivação alguma. Não tenho onde cair morta, cogitava seriamente nem fazer faculdade. Embora tenha algum potencial mental, não me importaria em trabalhar em algo mais rudimentar.
Então me vem a luz sobre as trevas, me fazendo vislumbrar algo para o futuro. Ainda meio borrado e disforme, ou deve ser apenas minha visão turva devido à distância, mas finalmente consigo pensar exatamente o que eu quero.
Dizem que o verdadeiro amor nos edifica e nos faz querer ser melhores, então que assim seja. Ele é tão forte, tão preocupado, tão centrado. Gostaria de ser assim. Quero que ele tenha cada vez mais orgulho de mim, que me veja a seu lado e não perdida no caminho muitos passos atrás, sendo um estorvo. Que olhe pra mim e não pense um segundo sequer que escolheu passar a vida com a pessoa errada.
É claro que eu desejo me casar um dia. Almejo cumprir todas minhas funções de mulher porque sei que me é natural querer cuidar e ser protegida. Mas antes começarei a cumprir minha função como ser humano – tornar o mundo um lugar melhor. Sobretudo para dar à família que eu já tenho e à que constituirei um dia tudo o que me faltou. Mas também pra que eu seja alguém que faz a diferença no mundo. Sobreviver é mole, quero ver é vencer na vida pelos próprios esforços e ainda contribuir para que o mundo seja melhor. Meu modo é através das palavras. Eu tenho tanto a dizer, eu tenho tanto a aprender para transmitir. Eu quero um dia dizer aos meus filhos como foi difícil pros pais deles entrarem numa boa faculdade, viver com o salário de professores, construir a casa em que eles viverão. E ensinar-lhes que eu vou lhes dar tudo, mas isso não significa que o mundo também o fará.

Nenhum comentário: