sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Pt. II — Blame me, blame me.

Começo aqui quase envergonhada, com um clichê quase inadmissível pra alguém tem um razoável arsenal de palavras: há males que vem para o bem. Eu não quero ver as coisas pelo lado do perdi um dos pilares da minha vida. Quero redescobrir todos os meus sonhos e meus amigos, e permitir que novos surjam. As noites no porks ouvindo Creed, as tatuagens que eu quero fazer há um tempão, a coleção de Barbies que eu sempre jurei que teria quando fosse adulta, todas as coisas ridículas, infantis e egoístas das quais eu não quero abrir mão mas deixei de lado por tanto tempo, pra viver uma realidade que não era a que eu sonhava – mas ainda assim me dispus a vivê-la (minha culpa, e apenas minha) por amor, por pensar que talvez no fim das contas alguma das minhas vontades fosse feita e, ridículo dos ridículos, por medo de que fosse algum tipo de Plano Maior, de Vontade Divina, que se eu cedesse em tudo esse ano, nos próximos conseguiria ser feliz.
Mas de repente me foi arrancada a venda semitransparente dos olhos: seria muito mais pesado do que eu poderia suportar, e com enormes chances de dar errado. Não quero viver minha vida de modo que eu faça a vontade de outrem e culpe-o pelos fracassos – quero meus fracassos. Quero minha dor. E também meus acertos, só meus, sem ter que creditá-los a alguém por ter me empurrado no “caminho certo”. Nenhum caminho é o certo, mas o menos errado é o que eu mesma escolho. E eu escolhi.

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