sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Pt. III — She broke your throne and she cut your hair

Eu gostaria de poder escrever uma análise imparcial sobre os últimos dezessete meses da minha vida, de nossas vidas. Mas como eu poderia fazer isso? Como eu poderia mensurar as conseqüências de cada gesto impensado, mal-interpretado, de cada palavra mal colocada ou mesmo daquelas ditas intencionalmente pra ferir? Deus, eu desejo que houvesse um aparelho pra medir quem esteve menos errado. Uma escala de dor. Qualquer coisa.
Encontro-me aqui, sozinha num quarto bagunçado e sujo, só um pouco menos caótico que a minha própria vida, em meio de minhas reflexões e contradições, em meio de pedaços de sonhos: não porque eles estão destruídos, mas porque estão confusos. Por um segundo destacam-se dos outros cacos, parecem tão certos, e então voltam a ser apenas retalhos.

Baby I’ve been here before
I’ve seen this room and I’ve walked this floor
I used to live alone before I knew you
I’ve seen your flag on the marble arch
But love is not a victory march
It’s a cold and it's a broken hallelujah


Eu nem sei se acredito no que eu digo e no que eu tenho escrito, por isso evitei fazê-lo – pra então despejar minha alma com todo o cuidado em três atos. Acredito em tudo isso, todo esse positivismo, até ouvir uma música triste. E então me lembro como somos incompatíveis e como nenhum dos dois vai ceder, choro, ponho uma música alegre.
Eu sinto um orgulho absurdo de mim por não estar me rastejando e aceitando quaisquer condições pra tê-lo de volta, mas é claro que eu estou morrendo por dentro. A cada memória preciosa que precisa ser esquecida, ou ao menos muitíssimo bem escondida, nós morremos um pouco. Mas ao mesmo tempo, esvaziamos um espaço não menos precioso, perfeitamente capaz de ser preenchido com pensamentos novos. Senão com lembranças, com sonhos. Senão com sonhos, com ocupações saudáveis, com trabalho, com conhecimento, com qualquer coisa que amorteça a morte.

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