Não seja o que o mundo espera de você, porque ele nunca espera que você seja feliz.
É tudo tão contraditório, não existe nada de concreto, real, absoluto. É tudo gelatinoso, tudo frágil, bambo. Revolução industrial é o caralho, os maiores bens não-duráveis somos nós.
Tem pessoas tão formidáveis que o mundo nunca vai saber que existem, por causa das máscaras pra agradar a sociedade. Às vezes eu penso que seria melhor pra todo mundo se eu morresse, mas é aí que me dá uma vontade maior ainda de viver. Pode parecer paradoxal, mas quero viver de propósito. Se esperam que eu esteja morta, então continuarei viva, espero, por muito tempo. Se esperam que eu seja infeliz, serei mais feliz do que jamais serão na sua obsessão e falsidade. E olha, uma pessoa que é falsa com os outros é ruim o suficiente, imagina falsa consigo mesma?
Aceitação. Liberdade. Não é tão difícil assim.
O preconceito existe porque ser livre é uma arte, uma arte que qualquer um poderia dominar, mas tem medo. Padrão é um looping infinito. Um dia um filho da puta acordou e disse que mulher magra que é linda, que ser hétero é o certo, que ser pobre é vergonha. Seguiram, criaram mais, seguiram. Ad infinitum.
Não vou dizer que sou ~diferente~, porque é um estigma patético, e não vou ser hipócrita, eu gosto muito mais de pessoas que são parecidas comigo; de modo que, pra existir gente parecida comigo, eu tenho que seguir alguma coisa. E eu sigo 144 pessoas no twitter e mais do triplo disso de filosofias. E uma delas é a da liberdade. Eu sei como é árduo deixar de ser o que o mundo espera que você seja. Eu não conseguiria me manter assim, tão satisfeita com a minha personalidade e sem medo de dizer o que eu penso, se não tivesse as pessoas que me amam, eu também desabo.
Claro que tem gente que me odeia, que me acha ridícula, babaca, e olha, estão certos. Uma pessoa que corre o risco de ser ela mesma é ridiculamente babaca. Se torna persona non grata praqueles que sempre quiseram ser alguém real e se tornaram apenas alguém que agrada aos outros.
Eu me dei conta: eu queria gente parecida comigo, então tinha que mostrar o que eu realmente era. Ser a primeira. Sou o Iuri Gagarin do seja-você-mesma, porque se eu continuasse me escondendo, me reprimindo, o looping infinito continuaria. Alguém tinha que dar o primeiro passo. E começaram a surgir pessoas que se identificavam com minhas filosofias. Comigo. Com o que eu era, não com o que eu achava que queria ser.
Tem pessoas que são tão lindas e insistem em usar máscaras. Porque é mais fácil. Coloque algo pra encobrir seu rosto ao invés de tratar dele. Sou uma péssima influência pro mundo porque eu digo o que penso, porque não me surpreendo com nada (ok, se você me disser que matou alguém eu vou ficar chocada, mas se você me contar dos seus mais profundos desejos, coisas bobas ou estranhas, não). Não sei se tudo é realmente banal ou se são meus olhos. Talvez estejam um pouco ruins por estarem cansados de hipocrisia, inclusive da minha própria. As pessoas se banalizam quando passam a usar máscaras iguais, mesmo que o que há debaixo da máscara seja totalmente diferente. A vida é um encontro às cegas, e eu não vou perder a chance por medo. Não mais.
Não posso obrigar ninguém a lutar contra o mundo pra ser o que sempre quis ser. É tipo Vietnã x EUA (e curiosamente o que parecia mais frágil venceu... não que seja assim com todo mundo que dá a cara a tapa). Não vou dizer que é um mar de rosas. As pessoas ojerizam o que é incomum, o que não segue a grande massa. Mas olha, sempre vai ter quem não goste de você, por mais que você viva pra agradar. Não adianta.
Não acredito naquilo de “você precisa se amar pra amar alguém”. Quero dizer, não é a única maneira. O amor de outra pessoa por você pode fazer você se amar. Não amar sua máscara, mas aquilo que você realmente é.
E gente, pra que perder tempo escolhendo a máscara perfeita, a mais bonita, a mais impressionante, quando você podia estar cuidando do seu rosto de verdade?
Olha, minha liberdade real começou quando minha mãe me deu liberdade. Não tive ninguém que arrancasse minha máscara e me dissesse que o que eu tenho por baixo é muito melhor que aquilo. Eu que tive que me dar conta. Eu era a loser moralista sem amigos (a máscara ser ruim ajuda, você percebe que nada pode ser pior que aquilo), e queria ser mais que isso. Acontece que eu já era, só não conseguia externar, não no meio em que eu vivia, não com a pressão familiar que eu sofria. Mil agentes externos. Não foi fácil, Deus sabe que não. Tive que conquistar a liberdade com a única pessoa que tinha mais ou menos direito de me impedir de algo, tive que parar de me importar com a opinião de gente irrelevante.
O Diogo é minha obra de arte. Sempre o amei pelo que ele realmente era, mesmo não conhecendo. Eu sabia que não podia ser verdade. Que ele era mais que aquela personalidade babaca. Foi uma aposta vultuosa. Um risco que eu quis correr. Eu tive medo, algumas vezes, de que ele fosse uma daquelas pessoas que nunca vai ter coragem de tirar a máscara, ou que é exatamente a mesma merda por baixo do disfarce. Ninguém muda, tudo já existia dentro de você, esperando pra ser ativado. Não existe o que é certo, mas existe o que é real. E cada vez mais, parece que estou acertando a pergunta de um milhão de reais. Que estou mostrando pras pessoas que eu amo de que só a liberdade e a ausência de preconceitos, sobretudo consigo mesmo pode ser o primeiro passo pra felicidade. Pra quem não sabe por onde começar, é onde eu comecei, mesmo que inconscientemente.
Pra mim a felicidade é uma coisa tão grande, que foi dividida em várias partes. Uma em você, e várias nos outros, já que é preciso encontrar a felicidade em si mesmo mas, por outro lado, ninguém é feliz sozinho.
O amor é um conceito. Engloba todos os tipos de amores. Impossível rotulá-lo como eterno, impossível, ou qualquer coisa assim. Às vezes tenho que dar razão à Clarice, talvez o ser humano realmente seja um orgasmo da natureza. Só que a maioria se torna um orgasmo fingido. E, todos nós sabemos, que quando você finge um orgasmo só pra agradar, o babaca da história é você.
Um comentário:
Thatta,sigo seu blog desde que vi uma referência sobre você no blog da Rosana Herman(Querido Leitor),tenho 59 anos, sou dona de casa (mais comum impossível),completamente fora do perfil dos seus leitores mas, tenho que te dizer: Garota você é o MAXIMO!
Que post maravilhoso o de hoje,parabéns. Fafá.
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