“Mulher é um bicho falso”, acho que toda a humanidade já disse isso em todos os dialetos possíveis (menos eu né amiga).
A gente às vezes é bem filha da puta, mas às vezes também acaba sendo cruel totalmente sem perceber. Ou então nem acha que é cruel, até um cara vir e dizer isso.
Cada vez que você só comenta o corte novo da sua amiga que ficou parecendo a Gaga na capa do Monster depois que ela sai, com as outras, pra não magoar. Cada vez que você concorda com alguém só pra não ter que discutir, mesmo que não ache nada daquilo.Cada vez que você diz que ama uma pessoa, e depois que ela te decepciona, você começa a apontar todos os defeitos dela.
Descobri que os homens acham que isso é ser falsa e má. Claro que eles não estão sendo falsos quando pegam a mulher do amigo, quando dizem que vão te ligar. Claro que eles não estão sendo maus quando fazem piadas com o tamanho do pau do outro e juram que vão matar a pessoa que os irritou com alguma bobagem.
Não vejo crueldade nesses atos de mulherzinha – e os caras provavelmente também pensam que o que eles fazem tá tudo bem – porque eu não gostaria que me dissessem que meu corte de cabelo tá feio, porque afinal não tem como arrumar e eu só vou me sentir pior. Porque tem discussões que são completamente desnecessárias e você quer evitar desgaste a troco de nada. Porque quando eu dizia que amava alguém, eu realmente acreditava que amava, e isso fazia com que eu não visse ou ignorasse seus defeitos, e só a decepção me permitiu enxergá-los ou relevá-los. E a mágoa é tanta que a gente enfatiza e até aumenta as falhas alheias, tudo pra se sentir melhor, pra se sentir vingada.
Quando alguém te joga algo na cara, é claro que você acaba ficando péssima. Mas acontece que é algo que você já fez. E se não tem mais como arrumar, tudo o que você pode fazer é analisar se foi algo realmente ruim e fazer o possível pra não repetir. Mas peraí, se minha amiga ainda não cortou o cabelo, eu vou avisar que acho que vai ficar ruim. Se é algo realmente importante, é claro que eu vou discutir, mesmo que tenha que me desgastar. Se é a milésima decepção com a mesma pessoa e eu ainda sinto o mesmo, então me dou ao direito de dizer que esse amor é de verdade. Quanto a exaltar as faltas das pessoas que a gente dizia amar, eu nem sei o que dizer. É horrível, é um mecanismo de defesa extremamente falho. Eu espero trabalhar isso. Eu espero nunca estar errada em relação ao amor que não só digo sentir, mas acredito verdadeiramente que sinto. Espero nunca ter outro namorado pra enumerar as falhas do Diogo – alias, espero nunca ter outro namorado. Pelo amor de Deus, eu só tenho dezesseis anos. Eu cresci lendo Pedro Bandeira, Álvares de Azevedo, Poe e o blog dos meus amigos góticos de 2007. Eu amo e odeio o drama, porque ele faz parte de mim. Eu me apego facilmente às pessoas porque cresci sozinha, sem amigos. Vendo novela, esperando encontrar amor e o vendo onde não tinha. Sendo cobrada ao extremo e tratada com considerável frieza pela minha mãe. E mesmo que quase nunca pareça, eu sou a mais frágil e mais mulherzinha de todas. I’m a mess. Mas por ter consciência de toda essa fraqueza de personalidade, é que eu paro pra refletir sobre o que eu posso melhorar. Porque eu nunca vou deixar de ser um monte de coisa ruim que eu sou. Só que eu acredito que a ignorância é uma bênção, e uma vez que você toma conhecimento de algo, você tem que assumir aquilo. Se você percebe que agiu horrivelmente, você tem que parar de agir horrivelmente. Mesmo que você deseje nunca ter sabido daquilo, já é tarde demais. Você deve andar pra frente, você pode até andar para os lados, mas nunca pra trás.
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