sexta-feira, 18 de março de 2011

oh can't you see how happy we will be

Arrependimento é uma via dupla. Você olha só pra direita e algo vindo do outro lado te atinge.
Porque eu tava planejando um post sobre como eu me arrependo de não ter começado a estudar o mais cedo possível.
E não me refiro ao estudar de prestar atenção na escola. Tenho um punhado de bons professores, dos quais pouquíssimos conseguem se impor sobre quarenta filhos da puta e cumprir seu trabalho satisfatoriamente.
Mas a culpa não é só dos meus professores medianos e/ou sem pulso firme. Tampouco dos filhos da puta que se acham tão fodões mas só estão na escola porque a mamãe obrigou. E também não totalmente minha, meus amigos. É o ambiente não me deixando estudar e eu não resistindo ao ambiente.
Cursinho é a melhor coisa. Aparentemente todo mundo interessado, todo mundo com o mesmo objetivo. Não lembro se contei, mas um desses sábados antes do carnaval eu fiz a prova do cursinho da unesp só pra me testar (Diogo me chamou de irresponsável porque eu disse que fiz ~só de zua~ mas meus amigos como eu ia saber que ia pegar uma colocação bem boa e fazer?).
Eu pensei: porra, 42 questões (41, uma foi anulada). Se eu acertar menos de 15 é vergonha demais. Vinte tá ótimo.
Tá, acertei vinte e duas, fiquei satisfeita pelo meu rendimento mediano. Daí sai a lista e eu nem ligo pra olhar, tendo certeza que ia ter uns gênios acertando mais de trinta. Fiquei puta surpresa quando a Ana disse que tinha meu nome lá e tal. Décimo quinto, porra. De 570. Ok, vamos colocar como incompetência alheia e não mérito meu, porque se eu acertar só metade do vestibular não passo nem pra segunda fase da minha opção mais fuleira.
Passamos eu, o Diogo, a Nati (que é da minha sala e do grupinho mas não sou muito próxima) e a Sun (minha atual melhor amiga, para os leigos. O que é uma coisa bem estranha de se dizer por que você supostamente tem que ter uma pra sempre mas enfim, devo ser péssima amiga e nunca dei muita sorte).
Mal deu uma semana e eu já aprendi tanto, já me senti tão capaz de passar. Nunca senti isso na escola. No Bom Pastor (escola particular que estudei da quinta até a oitava porque tinha bolsa integral) dava pra sentir que você tava aprendendo porque mesmo os alunos terríveis não atrapalhavam a aula. Nego no máximo vinha olhar sua resposta depois do professor dar uns berros mas normalmente se mantinha quieto. Só que eu ainda era muito nova pra pensar em faculdade de modo concreto.
Daí que esse texto me veio, a princípio, pra dizer como eu me arrependo de não ter estudado desde o primeiro ano, mas porra, ia ser uma coisa forçada, eu não ia entender bem as coisas e me odiar. Eu acabei passando por ciclos que me edificaram como pessoa.
No primeiro ano eu saí do meu estigma de nerd pobre bolsista. Tá, ainda me achavam nerd, mas eu era bem vagabunda, de faltar, dormir e tal, apenas conhecia bem o conteúdo porque tinha aprendido de verdade nos anos anteriores. Tipo, eu estava livre da escolinha católica. Tudo o que eu crescia como estudante, eu era oprimida como pessoa. Tinha que estar sempre impecável, pontual, com as tarefas prontas, muito mais do que qualquer riquinho. Uma das diretoras me odiava e fazia de tudo pra me humilhar. As pessoas queriam minhas apostilas, queriam que eu fizesse redação pra elas, mas nunca me chamaram pra sair. Eu não raro passava as noites de sábado chorando. Eu era inocente mas me apegava a qualquer menino aleatório que jamais ia querer ser meu namoradinho, de tão carente afetiva que sou. Eu era a mais mal-sucedida das putinhas sentimentais, falou oi pra mim na semana seguinte já tô escrevendo no diário que o menino podia ser meu namorado. Eu era toda complexada por não ter beijado.
Daí no primeiro ano eu estava livre de tudo isso. Até mesmo dos meus amores platônicos. E foi no momento que eu resolvi ser fria que eu conheci quem me faria me tornar muito mais passional do que eu já tinha sido, mas não é esse o foco né.
No segundo ano eu tive uma dessas amizades que as duas fazem tudo juntas. Apesar de tudo eu tive bons momentos com ela. Não sinto falta (um pouquinho às vezes, vai) mas tenho boas lembranças sobrepostas às ruins. Ela me ajudou a ser quem eu sou ou mostrar quem eu era. Eu dizia a ela que a amava praticamente tanto quanto ao Diogo, e eu acreditava piamente nisso. Ela era praticamente meu mundo e minha consciência. Uma vez estávamos andando na rua e eu lembro que disse uma coisa bonita pra caralho, não sei bem as palavras agora, mas que eu a amava duplamente, por ela ser minha melhor amiga e por ela ter me aberto os olhos de que eu realmente amava o Diogo.
E ano passado eu me diverti. Cara, me diverti mesmo. Mais do que em qualquer outro ano da minha vida até então, mesmo que seja pouco demais pra maioria das pessoas.
No primeiro ano eu pude ser eu mesma, e no segundo eu aprendi a ser. E agora eu tô tomando vergonha na cara.
E então, quanto aos arrependimentos, eu acho que não me adianta tê-los mas é válido eu dar meu exemplo. Se você tá no primeiro, segundo ano, ou até antes, saia. E se divirta pra caralho. Mas se divirta, meu amigo. Não vai fazer um monte de bobagem porque os amigos te disseram pra fazer. Deixe sua mãe puta de vez em quando, ela vai sentir falta quando você deixar de morar com ela. Mas não o tempo todo pra matar a coitada de desgosto antes que isso aconteça. Estude as matérias que você gosta por diversão, por curiosidade. Deixa as que você não gosta pra aprender com cursinho, porque só quando você faz que você percebe como é algo essencial, como é ridículo a gente perder três anos da vida no ensino médio pra não aprender metade do que a gente aprende no cursinho. Mas se você sabe bem quem você é, o curso que você quer, não se importa com vida social, então estuda. Pelo menos você vai ganhar mais do que eu, e nós vamos ganhar mais do que aquela biscate burra que fica gritando e atrapalhando a sala inteira. E tem sempre uma, se você não identificou ninguém assim, você é a biscate burra que fica gritando e atrapalhando a sala inteira.

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