sábado, 12 de março de 2011
you just might get it
Hoje aconteceu the craziest thing desde que eu pintei o cabelo de roxo. Eu tava numa daquelas ruas antiguinhas que saem da praça central da cidade (a título de curiosidade, Araçatuba foi feita num modelo arquitetônico francês do qual todas as ruas saem da praça principal. E aquela praça era usada pra negociação de bois back in 1910).
E tava indo pro sebo, comprar uma revistinha do homem-aranha pro lindo do meu namorado e um vinyl. Estava totalmente absorta na minha tarefa de escolher gibi quando vem uma mulher de uns trinta e poucos toda esbaforida, com seu cabelo vermelho-intenso-tipo-o-que-eu-tinha-até-mês-passado.
“Meu Deus moça que cabelo lindo..................................calma não vou perguntar que cor você usou porque eu nunca falo a minha mas eu tava lá no restaurante [um restaurante do outro lado da rua alguns metros acima] e vi você passando e tive que vir aqui falar”.
Wow.
A gente se sente alguém, sabe? Sempre esperei que alguém me reconhecesse do twitter e tentasse pronunciar meu user e dissesse que morre de rir com meus tweets. Mas não, gente aleatória, gente que jamais pintaria o cabelo de roxo e teria conta no twitter, me para pra dizer que-cabelo-lindo-que-tintura-você-usou (pra fazer justiça, meu cabelo ainda precisa de muita hidratação pra ficar lindo, mas a cor é bem legal mesmo).
E eu também comprei uma bolsa muito fofa e tal. Minha mãe me devia um dinheiro então estou podendo ser um pouco Becky Bloom. E quer saber? Eu sempre comprava coisas baratas que eu gostava mais ou menos, e meses depois me desfazia delas. Então estou deixando de ter dó do dinheiro. É o que dizem, “você tem que ser o senhor do seu dinheiro e não ele o seu senhor” ou algo assim. So true.
Provavelmente o que eu possuo não vai me tornar uma pessoa melhor. Mas quem consegue ser profundo e desapegado a valores materiais o tempo todo? Eu odiaria conviver com alguém assim, de verdade. Espero que esse tipo de gente esteja na Índia meditando doze horas por dia e em voto de silêncio fazendo trabalho voluntário nas outras doze horas.
Porque tudo nessa vida normal é dinheiro. Sou um horror sob todos os aspectos, mas se não fosse por dinheiro eu não me sentiria consideravelmente melhor comigo mesma agora do que, digamos, no começo do ano passado. A academia e os adventos pra emagrecer me custaram uma fortuna. Nunca vou ser magra mas já consigo caber no G de qualquer loja (afinal quem cabe na porra do P não é mesmo?), ao invés de precisar comprar roupas de velha em lojas horríveis com tamanhos especiais. E caras, obviamente, porque essas criações que fariam De La Renta querer morrer requerem um bocado de pano. Lembro que minha calça era sempre uns 80 reais enquanto as de números normais eram basicamente metade do preço. E eu mal tinha saído da infância. Doía de humilhação, e, pior, doía no bolso.
E minhas roupas e meu cabelo não são os melhores do universo e nunca vão ser, mas acho que pros padrões daqui são bem legais (claro que seriam melhores se estivessem emoldurando um corpo e uma cara bonitos né).
Ainda sou terrivelmente insegura. Rôo as unhas e passo horas analisando o que foi que eu fiz de errado. Morro de medo de postar fotos de corpo inteiro. Queria fazer tatuagem em lugares que são só banha e tenho um mínimo de noção de que não devo fazê-las agora. Mas porra, olha pra mim. As pessoas gostam do meu cabelo e de algumas das minhas roupas (se eu usar sempre as mesmas tá tudo certo). Isso é a capa. Isso faz com que te peguem da prateleira. espanem o pó e abram pra ler. Mas nunca soube de ninguém que se manteve lendo ávida e atentamente um livro até a última página apenas porque a capa era atraente.
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