quinta-feira, 1 de setembro de 2011
We are not questioning God, just those He chose to carry on his cross
Tudo é maquiado e nem por isso deixa de ter seu fundo de verdade. Uma mulher é linda de maquiagem e nem tanto sem, mas quando lava o rosto, não deixa de ser mulher. A história de Jesus, como qualquer história mitológica – porque é assim; a crença alheia é mitologia, a nossa é fato consumado –, possui seus ajustes pomposos, sem no entanto deixar de ser uma belíssima história, um belíssimo exemplo, talvez acima do próprio Deus.
Sou cristã, sem me preocupar com religião. Já estive diante de padres e pastores e me foi bastante desconfortável – por incrível que pareça, menos na igreja evangélica. Li Zíbia e Mônica Carvalho e senti grande paz interior, mas ainda assim não concordei com tudo. Sei que seguir dadas regras – das quais o boníssimo Jesus nunca falou em vida, porque estava preocupado em pregar e executar o amor ao próximo – não garante a salvação de ninguém.
Acho altamente provável que exista um Deus, onipotente, onipresente, onisciente, mas adepto do laissez-faire. Ele se preocupa com nosso bem-estar e caráter em geral, mas não está preocupado em nos punir porque deixamos a toalha em cima da cama ou demos a salada pro cachorro. Isso se chama sua mãe e é um evento inteiramente mundano.
E este Deus certamente enviou um homem de bondade inigualável no mundo – inigualável porque não nos esforçamos o suficiente, mas por outro lado ninguém quer desperdiçar cada segundo da vida com altruísmo. Ele era um homem como nós, passível de erros, mas os cometeu certamente no menor número possível. Que os cometeu, tenho certeza; se Deus quisesse colocar um representante perfeito no mundo, ele não seria um homem.
Pouco me importa se Jesus ressuscitou Lázaro, transformou água em vinho, curou leprosos com um toque, morreu e reviveu pra depois ser levado pelo Espírito Santo em glória infinita. Estes fatos podem ser apenas uma maquiagem para a história, mas não é esta sua essência. É preciso ver além do esplendor fantástico que é feito apenas para conquistar, pois um livro com uma bela capa atrai, mas é a história, a essência, que mantém – ou não – o interesse. É o que há por detrás das aparências que determina se o que é belo também é bom.
E o conceito do que é bom é algo a ser estudado cuidadosamente, com conhecimento de causa. A religião é um mecanismo vivo, deve ser questionada com respeito e inteligência. Não me curvarei diante das regras de humanos como eu apenas porque estes estudaram teologia e eu não. Ninguém pode comprovar que tudo da bíblia de fato aconteceu, e obviamente muito do que aconteceu foi omitido por questões de bom-senso e espaço. Daí vem alguém te dizer que “não pode ficar porque na bíblia ninguém fica”. Mas na bíblia Jó “tomou fulana por concubina” e Davi mandou o melhor amigo pra guerra por causa de uma mulher, então isso pode mas ficar não pode? A bíblia também não menciona vacinas, computadores, naves espaciais, então isso tudo é do capeta? Com um pouco de raciocínio qualquer um vê que o que a bíblia não menciona é por questão de época, não porque é errado.
Prefiro não guiar-me por estes caminhos falhos, criados por padres, pastores, ou qualquer coisa equivalente. Jesus era humano, mas não tinha como profissão sacerdote. Um escritor por profissão e não por vocação escreve qualquer coisa por dinheiro, e o mesmo acontece com os líderes das igrejas. A crença, seja ela vinculada com a religião ou não, é uma sustentação, um escudo contra as agruras da vida. É algo positivo, e por isso, libertador. Liberta da dor, do medo. O que é imposto através do rótulo de religião aliena e sufoca; seguir todas as ordens de um presbítero não é a garantia de salvação, é a garantia de uma vida robótica, de enganos. Todo aquele tocado pelo amor sincero torna-se conhecedor de seus próprios limites, de sua própria moral, e não precisa de regras criadas por outros; cada um sabe o que é bom para si quando possui a verdadeira e abstrata pureza divina, esta que o homem com a maior cruz do mundo tentou nos ensinar a alcançar.
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