São as pessoas, e não as coisas. De verdade mesmo. Eu moro numa casa pequena, num bairro afastado, acordei cinco e vinte pra pegar o ônibus pra escola, o esmalte que eu passei ontem já lascou todo e eu devia ter lavado o cabelo hoje, mas eu nunca estive mais feliz. Tudo tem seu tempo e o tempo do perfeito meio-termo entre nossas vontades chegou. Eu estou soterrada sob tanto amor e não poderia sentir-me mais viva, mais importante no mundo.
Meu dia começou extremamente cedo, mas sem nenhum problema. Uma vizinha estuda na escola, no segundo ano, de modo que não preciso passar pelo desconforto que é ser a pessoa mais velha do ônibus que fica sozinha ou coisa assim. Sei lá, minha cabeça tem dessas. Ela é legal.
Abracei minhas quatro coisas lindas, as únicas coisas que mantém parte da minha sanidade matinal intacta, e fui exemplar durante as aulas – mesmo que no primeiro dia após as férias seja meio que fácil pra qualquer babaca sê-lo.
O Diogo foi me buscar na escola. Me trouxe almoço e fomos comer na praça onde as pessoas fazem prova prática pra tirar carta. Níveis de amor da minha mãe por ele sobem infinitamente por ele ter me levado nuggets assados ao invés de me deixar comer doces na rua.
Fomos estudar e eu quase dormi em cima do livro de história. De verdade mesmo, sabe quando você pisca e suas pálpebras trancam magicamente? Mas até que passou rápido. Me enfiei no ônibus de volta e lá permaneci, juro, por mais de uma hora. Afundei o pé na terra fofa da casa da vizinha. A Nick não tava funcionando e é o melhor canal do mundo do meu pacote. Aquela parte horrível do seu dia que momentaneamente apaga a boa da sua mente. Mas daí fui ouvir Adele e ler um chic lit levinho pra relaxar e o Diogo me ligou. Ficamos uma eternidade no telefone. Ele está tão mudado, meu Deus. Quero me ajoelhar e agradecer por todas as minhas preces terem sido atendidas. Não adianta pedir dinheiro ou paciência. Apenas desejo que sempre estejamos bem, porque a única coisa mais poderosa que uma pessoa que age movida pela raiva é uma que age movida pela felicidade. Eu sei que daí posso ser paciente e conseguir tudo o mais. Ele sente tanto minha falta que quase não quero mais voltar pra internet. Me ligou todos os dias, veio pra cá sexta depois da biblioteca porque era aniversário da minha irmã – ela deu o primeiro pedaço de bolo pra ele, até. Veio ontem à noite sem eu nem pedir. Vai fucking me dar uma camiseta do System. Deixou de ser obcecado com USP e profissão extremamente bem remunerada e cheia de gente infeliz. E eu, que vos escrevo sob meu enfoque, tornando-me perfeita a vossos olhos, sinto o peso dos dezessete nas costas. De que eu obviamente não era perfeita e também precisei de alguma mudança. Não por ele, não tanto por nós, mas sobretudo por mim mesma. Eu deixei vir à tona com toda a força a personalidade que combina com esse cabelo. Sutil, comum, mas nem por isso menos interessante do que a anterior – mera questão de ponto de vista.
Helpless, I’ve become so helpless to your touch, so, touch me somehow. Restless, you leave me restless, breathless wait for me. The closer I come to you, the closer I am to finding God, you’re a miracle to me. Burning like Joan of Arc just to see you, just to feel you. Cadence, I’d dance with the death, ‘cause I believe, yes I believe, yes I believe.
(escrito em 1º de agosto)
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