sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Rare. Precious.

Hoje a chuva salvou minha vida. Fui me arrumar pra escola com aquela cólica com a qual você paga por qualquer pecado passado e futuro, mas seis horas ela começou a cair bem forte e, que chato, tive que me enfiar num moletom velho e no meu lindo edredom de volta.
Aí às sete o Diogo me ligou pra confirmar que estava indo pra casa da vó em outra cidade por uns dias. Ele estava procrastinando isso desde o começo das férias. Vai ser bom pra ele estudar em paz por uns dias, lá deve ser super calmo. Tenho muita coisa pra estudar, acho que isso ajuda.
Não vou ficar triste porque desde que nós voltamos (o que foi no dia onze e eu só contei pra Ariane porque ela adora historinhas de amor e acha que eu e ele somos as pessoas mais admiráveis do mundo) ele tem sido muito muito muito amor. Quase que outra pessoa, só que ainda com a essência que eu amava mesmo nos nossos piores dias. Me dando rosas, me cobrindo de atenção, se decidindo pela profissão que ele ama mesmo que o salário seja menor. E eu dou todo o apoio do mundo. Nunca vivi com luxo e nunca vou exigir que ele me dê luxo. Quero uma casa confortável, dinheiro pra comprar meus livros preferidos e minhas roupas de preços moderados, e um filho adorável. Ele não precisa me dar mais nada. Jóias ou viagens pra Europa quando eu quiser, champanhe de trezentos dólares e sapatos Prada. Nada disso. Quando essas coisas se tornam banais e você pode ter tudo o que quiser, uma hora vai ser infeliz. Não vai mais ter o que querer, daí você vai começar a desejar ter a vida tranqüila de uma mulher de classe média que precisa trabalhar o dia todo e entra em desespero quando a diarista não vem. Porque viajar pra Europa com certeza é a melhor coisa do mundo, e se você puder fazê-lo o tempo todo, nem vai mais se importar. A coisa perde o valor quando se torna constante.

(escrito em 2 de agosto)

Nenhum comentário: