segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Walking on warm lights
Posso amar sem compreender?
Porque eu amo meus irmãos. Loucamente. Amarei meus filhos. No superlativo sintético de loucamente. Mas não compreendo as crianças, nunca consegui, nem mesmo quando era uma delas. Eu era uma deslocada, sem saber o que eu era, sem saber o que o outro era. Fui jogada num cenário desconhecido sem saber quais eram meus superpoderes. E, se por um lado um sorriso de dentes de leite me acalenta o coração, por outro me irrita a balbúrdia de suas vozes estridentes berrando obscenidades numa idade em que estas são mais que inaceitáveis, os rostinhos que serão imberbes ainda por muito tempo reluzindo por uma maldade feita com seus próprios amiguinhos. Não compreendo o processo pelo qual um anjinho, quase sempre amado por sua família e doutrinado com os melhores valores possíveis, se torna uma criança insuportável, boca-suja, que dá escândalo com outros moleques seis da manhã num ônibus. Diariamente e daí pra pior.
Quase os invejo em sua ignorância de poder escolher o caminho errado apenas por não saberem que é errado; uma vez extinta a ignorância, uma vez flamejada a treva, uma vez iluminado o caminho correto, é imperdoável seguir adiante na escuridão.
E não seguir adiante na escuridão é um desafio hercúleo constante. Os passos trôpegos e incertos que adentram o negrume do caminho do ignóbil em nada se comparam à sofreguidão da marcha dos retos de coração. Pois enveredar-se na luz é enxergar o caminho mas não enxergar suas armadilhas, e apesar disso ter a certeza de que é esta a trilha que leva ao manancial das virtudes, mas não aos virtuosos pois estes delas não precisam; não aos inteligentes, aos belos, aos ousados, aos heróis, mas aqueles que a buscam de todo o ser. Aqueles que não sepultaram na alma seu pedaço de anjo amado pela família e doutrinado com os melhores valores possíveis.
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